A corrida desenfreada dos países pelo alcance do maior crescimento econômico possível é sintomática. Os indicadores dos PIBs nacionais parecem se transformar em fiéis medidores do “progresso” e “desenvolvimento” da nação. Não importa como, nem porque, o único fato que interessa é quanto nosso país cresceu, principalmente em relação aos demais. Nesse sentido, o Brasil deveria ter inveja da China e da Índia(também componentes do chamado BRIC), dizem os colunistas mais badalados, pois estes obtiveram um crescimento econômico bem superior nos últimos anos(Mas os colunistas não afirmam que o crescimento da China, por exemplo, está alicerçado na mão-de-obra semi-escrava). http://www.institutodepesquisauniban.org.br/relatorio_especiais/PIB_4TRI_07.pdf
Os guarani são um povo indígena já com mais de 500
anos de contato com o “homem branco” e a “civilização”. Por conta deste
fato, formam uma das etnias que mais sofreu com este histórico de relações,
o que pode ser visto nas várias aldeias e terras indígenas que estão próximas
dos grandes centros urbanos, principalmente devido a problemas de subnutrição,
fome, alcoolismo e até mesmo de suicídios. Apesar disso, estes índios lutam
bravamente, ainda hoje, para manter suas tradições e costumes, estando presentes
não só no Brasil, mas também na Argentina e no Paraguai, onde, inclusive, sua
língua é reconhecida como um dos idiomas oficiais do país. Esta tradição e estes
costumes estão presentes não só em sua língua, mas também em outros elementos de
grande importância da sua cultura, como por exemplo, na busca pela terra
sem males.
A busca pela terra sem males consiste num mito,
alimentado pelos guarani mbyá por gerações, o qual se resume
à crença na existência de um lugar ideal para se viver de acordo com sua
tradição, do outro lado do oceano atlântico. Muitos índios acreditam, inclusive,
que alguns, iluminados e escolhidos por nhanderú (Deus para os guarani),
conseguiram transpor "magicamente" o oceano e se juntaram a outros da mesma
etnia. Esta crença pauta toda a relação destes índios com o mar, o que resulta
na localização de suas aldeias sempre próximas ao litoral, de preferência em
locais onde o mar possa ser avistado. Apesar da beleza e da força deste mito, já
pude ouvir e presenciar manifestações de pessoas “civilizadas”, achando toda
essa estória uma grande besteira, afirmando que “só índio mesmo pra
acreditar nestas falácias”. Acho isso até engraçado, pois o mito, de uma maneira
geral, parece às vezes ser tratado como algo exclusivo dos então ditos
“primitivos”, o que demonstraria e confirmaria o “atraso destes povos”, numa
clara perspectiva evolucionista, ignorante e preconceituosa.
Mas
será que nós, “homens-brancos”, “civilizados” e "guiados pela razão", também não
alimentamos e somos guiados por mitos irretocáveis??? Muitos diriam
que é óbvio que não. Talvez não seja exatamente assim.
Vejamos: